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Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2018

A minha relação com os trapos

Tenho uma dificuldade crónica em comprar roupa. Detesto passear em lojas (leia-se: fujo de lojas de roupa como da peste). Tampouco gosto de experimentar roupa, mas não posso comprar sem o fazer graças à minha silhueta curvilínea. Não há muita roupa para figuras ampulheta, pelo menos, que façam o meu estilo (se é que tenho algum). Ou então, não sei procurar, pelo que não a encontro, e tudo me parece caro. É a explicação mais plausível. Cresci numa família onde é habitual a roupa circular e ser reutilizada anos a fio, o que reduz dramaticamente a frequência das compras. Naturalmente isto tem vantagens (ecológicas e económicas, entre outras), mas tem desvantagens (dificuldade no desenvolvimento de um estilo próprio ou de aquisição de competências no momento de adquirir roupa nova). Por este motivo, acumulei quantidades colossais de roupa ao longo dos anos, a maioria das quais não vestia. Mas por algum motivo parecia de mau tom levar de volta roupa que só a mim servia, por exemplo...

Pessoas difíceis

Há pessoas difíceis, que trazem ao de cima o pior que há em nós. Todos nós temos momentos em que complicamos, em que somos parvos, em que nem nós nos suportamos. Mas há indivíduos que parecem ter como objectivo de vida infernizar a dos outros. Na verdade, tenho pena dessas pessoas, ainda que normalmente me apeteça esbofeteá-las até que atinem. Creio que estas pessoas são infelizes. Portanto, enquanto os meus colegas desejam que a chefe fique a calçar o pneu de um camião TIR, leve uma carga de porrada ou sofra de disenteria, eu tenho outros desejos para ela. Ainda que acredite que a sua infelicidade esteja mais provavelmente relacionada com o foro pessoal (mas aí não sei o que a faria feliz), prefiro desejar que lhe surja uma oportunidade de emprego fantástica, irrecusável, e que satisfaça todos os requisitos da pessoa em questão. De preferência nos antípodas. Sem ironia.

Rotina da noite

Gosto de rotinas. As novidades são importantes, naturalmente, mas tornam-se mais notáveis se forem pouco frequentes. Há dias li um pequeno texto que falava em acções simples para tornar o serão mais “hygge”. Sim, está na moda e em muitos aspectos não é inovador. Mas reflectir sobre o que podemos fazer para trazer paz e bem-estar para a nossa vida parece-me fundamental. Quando li o tal texto apercebi-me que o meu serão é exactamente aquilo que estava descrito. Ou seja, depois do jantar, depois de deitar a mais pequena e de ter tudo preparado para o dia seguinte, reclino-me no sofá com a minha mantinha, luz do candeeiro de mesa e eventualmente uma vela, um livro ou um programa de televisão, chá de camomila. Fui montando esta rotina com o tempo, e de forma desinteressada fui percebendo o que me fazia sentir bem no final do dia. Permite-me relaxar e conciliar melhor o sono. E é tão simples! Será que toda a gente tem uma rotina da noite, ainda que não se aperceba? Será que está a func...

Azedume

Tinha planeado falar de outra coisa, hoje. Mas este assunto já me anda a moer há bastante tempo. O descontentamento laboral. De um modo geral, parece-me que as pessoas andam desencantadas com o estado do país; mais do que o habitual. É normal querermos sempre mais e melhor, mas ultimamente parece que essa postura de carência se exacerbou, possivelmente por se terem feito promessas não concretizáveis. Mas o pessoal gosta de fingir que acredita, precisamos desesperadamente de bóias da marca “Esperança”. Adiante. No meu local de trabalho o descontentamento é gritante. Todos temos muitas razões para isso. Pertenço a uma classe profissional relativamente recente, mas cada vez mais basilar na nossa área de actuação, que é sistematicamente ignorada e preterida em comparação com outros grupos profissionais que nos são próximos. Por questões políticas, claro está. A falta de reconhecimento pelo nosso trabalho deixa-nos, a modos que… danados. E há outros motivos para a nossa tristeza colec...

Projectos protelados

Tenho lido alguma coisa sobre produtividade. E sobre simplificação. À primeira vista pode parecer contraditório, mas acredito que são temas que se complementam. Para sermos produtivos temos que eliminar o que é desnecessário, ou seja, simplificar. É frequente termos projectos agendados durante vários dias, semanas, meses ou até anos. Será que alguma vez lhes vamos, realmente, “pegar”? Se os arrumámos na estante, qual é o verdadeiro valor daquele projecto para nós, para a nossa vida? Há empreendimentos que só podem avançar em determinado momento, ou mediante determinadas condições, é certo. Mas os restantes, será que não estão apenas a ocupar espaço no nossa memória e a causar mais pressão? A fazer-nos sentir como se estivéssemos a falhar. Talvez esteja na altura de nos libertarmos desse fardo, sem medo. Ficaremos mais leves e com espaço e disponibilidade para o que deveras importa.

Biblioteca

Conforme referi anteriormente, nos últimos anos quase não comprei livros. Sou uma leitora ávida e gosto de ler em papel, ainda que comece a aderir à versão digital, sobretudo de livros técnicos. Este ano tenciono alcançar os 50 livros lidos; estou quase lá (e o ano está a findar, convenhamos). Os livros são caros, creio que é consensual. Raramente leio o mesmo livro duas vezes. Ocupam espaço e acumulam pó, mas tenho dificuldade em desfazer-me deles. Solução? Biblioteca. E empréstimos de e a amigos. Ecologicamente eficaz, também. Mas confesso que continuam a ser o meu presente favorito, para dar e receber.

Talvez um dia...

Por falar em hábitos e ementa semanal, outra coisa que vai ajudando nas lides doméstico-culinárias é a confecção prévia de refeições, ou parte delas. Nomeadamente para congelar. Por vezes faço carne estufada ou picada (bolonhesa) em quantidade industrial e congelo de modo a ter um jantar feito. Dá jeito sobretudo nos dias em que chego tarde a casa, facilito a vida ao marido, ou a mim se chegar ainda a tempo de preparar o repasto. Mas há autênticos movimentos pró- freezer meals por essa blogosfera fora, de comida cozinhada ou apenas com os ingredientes crús preparados, seja para slowcooker ou outro método de cocção, verdadeiramente estóicos. E eu penso: deve ser porreiro.

A luta continua!

Há bastante tempo que leio sobre as vantagens de fazer uma ementa semanal, ou até mensal. E sempre que faço e sigo a dita ementa, a vida é mais doce. Então, porque não consigo desenvolver o hábito?! É irritante conhecermos uma ferramenta que funciona (comigo pelo menos, sei que nem toda a gente gosta) e não sermos capazes de a utilizar regularmente. Não sei se será por não gostar de repetir seja o que for, e se escrever as refeições percebo que essas repetições existem e forço-me a arranjar alternativas, o que é cansativo. Ou se será porque não me apetece pensar de antemão na lista de compras que tenho que elaborar para que a ementa funcione. Ou se é apenas boicote puro e simples, de mim para mim. O que não seria inédito. Não vou desistir. A desta semana já está feita, acabadinha de sair do forno. Toma!

Segunda oportunidade

Há cerca de três semanas adoptámos um cão. Aliás, uma cadela. Há três anos que não tínhamos pêlos no chão da cozinha. Mas é bom. É bom para os miúdos, apesar de ainda estarmos em fase de adaptação. É jovem, mas adulta. Esteve dois meses no canil, onde era bem tratada; por vezes fazemos lá voluntariado. Não sabemos que vida levou antes disso, antes de ser resgatada da rua. Parece que me escolheu como dono e é ciumenta, sobretudo quando a minha filha, que é a mais pequena cá do burgo, se aproxima de mim. Nota-se que é uma cadelita dominante, a sacaninha. É um exercício de paciência, e de persistência, mas acredito que com tempo ela vai entender que há espaço para todos, não é preciso abocanhar ninguém. Nem roubar comida, já agora. Sobretudo, sinto que lhe estamos a proporcionar uma nova oportunidade. E isso deixa-me feliz.

O que estou a ler

Gosto de livros, sobretudo policiais. Gosto em particular de escritores escandinavos. Mas leio de tudo um pouco. Contudo, posso dizer que não aprecio livros excessivamente românticos (leia-se “lamechas”). Nada contra, claro, mas não tenho paciência. Tal como muita gente não tem paciência para policiais, sobretudo de escritores escandinavos. Uma das minhas melhores amigas, e colega de trabalho, inclui-se neste grupo: se não tem uma história de amor, não quer ler. Aceito, com certeza. Gosto de pessoas que sabem do que gostam e do que não gostam. Estou a ler um livro do Jo Nesbø, o segundo da série Harry Hole: “O pássaro de peito vermelho”. Foi escrito há quase 20 anos, estou um bocadinho atrasada na leitura da obra deste cavalheiro, eu sei. Estou a gostar, ainda mais do que do primeiro. Constrói bem os personagens, o enredo está bastante enredado. Como se quer, aliás. Já tenho a minha próxima vítima de papel a aguardar. Não é um policial. Gosto de intercalar, senão transformo-me ...

Os meus temas

Sou uma pessoa “vulgar”, portanto sei que não vou inventar a roda neste espaço. Pretendo apenas ordenar ideias, partilhar pensamentos ou dúvidas existenciais, dissertar um pouco sobre conceitos que vou apanhando por aí e que quero (tentar) aplicar. Alguns dos temas que poderão passar por aqui: livros, parentalidade, culinária, organização, relacionamentos, ecologia. Ou seja, de tudo um pouco, de tudo o que me poderá vir à cabeça no momento, de tudo o que me apetecer e me fizer falta colocar por escrito. Leio alguns blogs que me inspiram e que falam da maioria dos temas que referi (é que não estou mesmo a inventar a roda!), pelo que apenas pretendo deixar aqui algumas das minhas reflexões e experiências. Ou, claro está, assuntos que em nada se relacionem com isso. Veremos.

Cá estou eu

Vou fazer esta experiência. Um blog. Para falar sobre tudo o que me apetecer e sobre nada em particular. Tenho uma imensidão de projectos que precisam ser trabalhados, nem imagino porque me decidi a iniciar outro. Assumo vários papéis na minha vida: mãe, esposa, profissional, amiga, filha, irmã, tia, blablabla. Mulher. Tenciono falar de todos, conforme me apetecer, conforme a vida for acontecendo. Estará alguém aí para ler?