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A minha relação com os trapos


Tenho uma dificuldade crónica em comprar roupa. Detesto passear em lojas (leia-se: fujo de lojas de roupa como da peste). Tampouco gosto de experimentar roupa, mas não posso comprar sem o fazer graças à minha silhueta curvilínea. Não há muita roupa para figuras ampulheta, pelo menos, que façam o meu estilo (se é que tenho algum). Ou então, não sei procurar, pelo que não a encontro, e tudo me parece caro. É a explicação mais plausível.
Cresci numa família onde é habitual a roupa circular e ser reutilizada anos a fio, o que reduz dramaticamente a frequência das compras. Naturalmente isto tem vantagens (ecológicas e económicas, entre outras), mas tem desvantagens (dificuldade no desenvolvimento de um estilo próprio ou de aquisição de competências no momento de adquirir roupa nova).

Por este motivo, acumulei quantidades colossais de roupa ao longo dos anos, a maioria das quais não vestia. Mas por algum motivo parecia de mau tom levar de volta roupa que só a mim servia, por exemplo. E isto assoberbou-me durante muito tempo. Até que se fez luz e consegui ultrapassar esses constrangimentos. Continuo a reutilizar, mas sou muito, muito mais selectiva com o que permito que fique em minha casa. E a maior parte das peças vêm à experiência, ou seja, se não me sentir confortável ou se perceber que simplesmente não uso, vai de volta.
Já tentei organizar um armário cápsula, e acho que posso dizer que o que tenho se aproxima disso, ainda que não saiba dizer quantas peças de cada tenho. Tenho que fazer essa contagem.
A questão é que há elementos que eu quero comprar e não encontro (pelos motivos acima referidos), o que me impede de descartar peças de que não gosto muito, não me assentam bem ou já não estão em condições. Caso contrário fico com um armário micro-cápsula. O que talvez nem seja mal pensado.
Em suma, posso dizer que desde que reduzi drasticamente a quantidade de vestuário armazenado, há cerca de 3 anos, a minha relação com a roupa melhorou substancialmente. Naturalmente que é  work in progress. Mas sei que, sobretudo, preciso melhorar a etapa de aquisição de peças novas. Lá chegaremos.

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