Tinha planeado falar de outra coisa, hoje. Mas este assunto
já me anda a moer há bastante tempo. O descontentamento laboral.
De um modo geral, parece-me que as pessoas andam
desencantadas com o estado do país; mais do que o habitual. É normal querermos
sempre mais e melhor, mas ultimamente parece que essa postura de carência se
exacerbou, possivelmente por se terem feito promessas não concretizáveis. Mas o
pessoal gosta de fingir que acredita, precisamos desesperadamente de bóias da
marca “Esperança”. Adiante.
No meu local de trabalho o descontentamento é gritante. Todos
temos muitas razões para isso. Pertenço a uma classe profissional relativamente
recente, mas cada vez mais basilar na nossa área de actuação, que é sistematicamente
ignorada e preterida em comparação com outros grupos profissionais que nos são
próximos. Por questões políticas, claro está. A falta de reconhecimento pelo
nosso trabalho deixa-nos, a modos que… danados. E há outros motivos para a
nossa tristeza colectiva que não me apetece incluir neste texto.
Onde quero agora chegar é que quando este descontentamento
põe em causa o nosso desempenho profissional, a unidade da equipa e a
honestidade nas relações inter-pessoais, começo a ficar incomodada.
Resumindo: toda a gente tem direito a estar desgostosa com o
que se está a passar e a demonstrar esse desgosto; contudo, quando nos
esquecemos do motivo pelo qual escolhemos fazer o que fazemos, meus amigos,
está na hora de arranjar um bom par de cojones e fazer-se à vida noutro sítio.
É só isto.
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